quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Lista de compras

Quem tem um ex-marido como o meu não precisa nunca ir em show de stand-up comedy (que aliás, eu detesto muito). Toda semana, ele faz uma graça. Lembra do papo da bota, né? Que ele queria economizar um dinheiro pra comprar uma bota pra filha. Enfim, o cara tem a veia do humor. Seja pelos torpedos que me manda (e acreditem, são sempre uns quatro ou cinco no mínimo, um atrás do outro) ou pela conversinha pra boi dormir que ele aprendeu de uns tempos pra cá.
Toca o telefone, meio de semana. O Nêgo mora em São Paulo, mas liga sempre dar um alô pra filha. Como sempre, assim que vi o número do sujeito, dei o telefone pra criança. Ela falou com ele e disse:
- Meu pai quer falar com você.
- Oi, tudo bem?
- Tudo.
- Você vai sair?
- Não, por quê?
- É que eu tô aqui perto e fiz umas compras pra filha.
- Ah tá, pode deixar na portaria que eu pego.
- É melhor eu subir, é muita coisa, são umas quatro caixas
- Não, não. Deixa na portaria, eu pego o carrinho e subo com as compras.
- Ah, mas você pode descer pra eu dar um beijo na filha?
- Sim.
20 minutos depois chegam ele e as caixas. Mandei a criança falar com ele, olhei pra cara dele e simplesmente disse: obrigada. Coloquei os trens no carrinho e subi. Chego no apê e começo a abrir as bagaças.
Vamos à lista do sujeito:
3 pacotes de macarrão parafuso, 3 pacotes de salsicha, 3 pacotes de club social, 3 queijos processados (dessa parte gostei muito), 3 pacotes de bisnaguinha, 3 molhos de tomate, 1 pacote de pão de forma, 1 vidro de azeitona, um monte de todynho (dessa parte também achei bom), uma porrada de Kapo e Ades, um pote de Toddy de 1 litro, 1 caixa com 12 litros de leite, duzentos mil pacotes de miojo, pacotes e pacotes de biscoito recheado, tortinha, bolinho Ana Maria a dar com pau, 1 xampu infantil, 1 condicionador infantil, 1 pasta de dente, 1 gibi, 1 Dove infantil, 1 Dove adulto, 1 escova de dente infantil, 1 escova de dente adulto e agora o melhor: 1 pacote de absorvente Sempre Livre Cobertura extra-seca e 1 creme pra corpo da Ox roxinho. Sério, muito sério. Eu tive um ataque de tanto rir... O abobado deve ter feito umas compras pra mulher e esqueceu de tirar o Dove, a escova de dente, o absorvente e o creme. Deve ter levado uma bronca da mulher... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Bom, mas o absorvente eu dei pra minha faxineira porque nem gosto de cobertura extra-seca ou abas. A escova de dentes eu guardei porque tem que trocar de três em três meses o sabonete, ídem, pois adoro um Dove. Agora, o creme eu amei mesmo e no mesmo dia, só pra cutucar, mandei o seguinte torpedo:
Obrigada pelo creme. Adorei.

hahahahahahahahahahaha. Eu imagino a cara dele...
Quem precisa gastar com show de humor com um ex assim, né?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Memórias

Fui viajar a trabalho. Litoral norte de São Paulo. Praias e praias lindas, que eu adoro. Em cada uma, uma história.
Boiçucanga: infância, a casa do tio, amigo do pai. Tudo era diferente. Aos 17, voltei lá, com a turma do colégio pra uma viagem cheia de surpresas. Nesta viagem, lembro que o Gustavo escreveu num caderno algo assim: porque essa talvez seja a última vez que nos vimos jovens... e ele tinha toda razão.
Maresias: a casa do Rogério, amigo de teatro. Época da faculdade, do teatro. Carnavais, Revéillons e feriados incríveis passados por lá. Shaolin, Bar do Meio... Marcia, Cacá, Fic, Waldi, Valter... A mesma maresias onde vou de vez em quando até hoje, pra casa de uma amiga.
Juquei: badalações sem fim.
Camburi: o ex-marido tinha casa lá, bem no sertão de Camburi. A primeira viagem da filha...
Ilhabela: ah Ilhabelha... nem a fila interminável da balsa e os borrachudos tiravam meu humor.
Paúba: um por-do-sol indescritível.

E é assim que começo a semana (voltei hj ao trabalho) em clima de nostalgia e saudade e a vontade de reviver a felicidade cada uma dessas praias, de alguma forma.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pois é

Sabe o meu medo? Me reapaixonar por você e começar tudo de novo. Porque eu me lembro direitinho quando eu ia, de madrugada, até a porta da sua casa, deixar chocolates com bilhetes dizendo eu te amo. E sabe o que mais doía? É que você simplesmente não respondia e quando eu ligava (porque eu ligava) e você fingia que nada tinha acontecido. E doeu muito mais quando eu conheci sua namorada e pensei: ela é a minha cara. Por que você não está comigo? E eu disse isso pra Carla, uma vez que ela foi em casa e conversamos e entreguei pra ela os livros e CDs que eram seus e que passaram boa parte daqueles quatro anos de faculdade comigo. E junto mandei a letra de Guarda um Beijo Meu e até hoje, mesmo a gente conversando tanto, sabendo tanto e tanto um do outro, em nunca soube se você recebeu. E está cada dia mais difícil e como eu te disse outro dia: tenho pensando muito em você. Mais do que eu gostaria. Mais do que cabe. E eu queria que você ouvisse We Walk The Same Line, do Everything But The Girl, principalmente por causa desse trecho:
So if you loose your faith babe,
you can have mine,
and if you're lost, I'm right behind,
cause we walk the same line...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Fim

Eu sabia que ele estava estranho. Mesmo pelo MSN, o conheço pelo cheiro. A tarde toda lacônico e até um pouco seco. Achei que estava assim pelo momento pessoal complicado. Está sem emprego fixo e correndo atrás de frilas e mil e um projetos para pagar as contas e sustentar a mulher (que não trabalha) e o filho de 10 anos. Respeitei seu azedume e me coloquei à disposição para o que precisasse. Ele saiu do MSN, dizendo que iria comprar pão. Eu também saí. E quando voltei ele apareceu em seguida.
- O pão tava gostoso?
- Não comi. Estou sem fome.
- Ah, tá.
E aí eu entendi tudo:
- Meu casamento está ruindo, Querida. Tá foda.
- Sério mesmo?
- Sabe quando acabou, mas você ainda não sabe quando vai acabar?
- Sei. Você fica no cinema esperando um outro filme, uma outra história, mas só vê os letreiros passando.
- O que eu faço?
- Espera chegar a hora.
- E quando vai ser isso?
- Você vai saber, a gente sempre sabe.
- Posso te pedir uma coisa?
- Todas, tu sabe disso.
- Fica do meu lado. Vou precisar de você mais do que nunca.
- Eu tô do teu lado. Segurando sua mão, nesse exato momento. E saiba que eu amo tu.
- Eu também te amo, Querida.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O mês 10

Com essa onda de Twitter, fica mais econômico postar (na verdade, twittar), a prestação. Você resume tudo nos tais 140 caracteres e pronto, tá tudo lá. Quem entendeu, entendeu, quem não entendeu, paciência. Mas às vezes faz falta falar mais e começar um raciocínio e concluir, sem ser subjetivo demais. Minhas amigas me chamam de a rainha das metáforas, enfim. O que sei é que um saco cheio se abateu em minha vida. E isso apesar de eu estar no meio de férias (tudo bem, tem chovido pra caralho, mas tem coisa melhor do que ver filme debaixo do edredom enquanto todo mundo se molha?) me sinto triste, desanimada e rabugenta. Na verdade, estou em compasso de espera. Um novo amor, o dinheiro de um trabalho extra, um prêmio para o qual me inscrevi, um telefonema inesperado, uma visita que bate à minha porta, um e-mail com alguma notícia que realmente valha a pena... Mas este outubro chuvoso e cinza tem se revelado uma grande decepção. E, embora eu espere, nada acontece. Seja fora ou dentro de mim.

sábado, 10 de outubro de 2009

Pois é

O Paulinho?
Tá em Barra do Sahy.
A Querida?
Vai bem, obrigada. Em casa mesmo.
E ele nem cogitou a possibilidade de me convidar, mesmo sabendo que estou em férias e com a filha na casa do pai. Simplesmente disse:
- Fulano (que eu não lembro o nome do sujeito mesmo) me convidou pra ir pra casa dele em Barra do Sahy. Vamos na quinta pra não pegar trânsito.
- Ah tá. Que legal.
Hoje é sábado e até agora nem UM torpedo ou ligação. O trem deve tá bom pelas bandas do Litoral Norte, né?

E assim a vida vai e assim eu curto férias, que ainda não teve viagem molezinha, que só chove, mas que eu descanso. Mas uma coisa eu vou falar: tá muito difícil levar uma vida sentimental honestamente... Sei lá, acho que vou partir pra bandalheira again... Eu me divertia mais quando não me importava e trazia histórias sensacionais pra cá, né? Acho que vou colocar a minha boa e velha Saia Plissada e passear por aí...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Núcleo

Então, o nome dele é Paulinho. E o Paulinho está na minha vida há 16 anos. Sou amiga do irmão dele, o Vítor, que conheci por outro amigo, o Fernando, que acabou se afastando da minha vida, mas que deixou o Vítor, que mesmo morando no Rio, está sempre por perto. Paulinho tem 50 anos, corpo de 40 e cabeça de 30. É advogado e já foi casado duas vezes. Na primeira cerimônia, by the way, eu estive lá, ouvindo sua ex-mulher abraçar os convidados ao som de Beatriz. Emocionante, diga-se de passagem. Encontrei Paulinho há coisa de um mês, no velório do pai da Mônica, que é amiga do Vítor e também virou minha amiga. Conversamos muito, ele me deu uma carona para o trabalho e i see you soon. Sábado teve aniversário do Vítor e eu fui. Levei um amigo, o Felipe. Paulinho passou a festa toda me olhando até que perguntou se eu tinha alguma coisa com Felipe e eu respondi que não, que éramos amigos. Frequento aquela casa há muito tempo, tanto que seu Paulo e dona Marta, são para mim, o tio Paulo e a tia Marta. Além de Vitor e Paulinho, conheço José e Pedro, os outros irmãos. Já estive em pós Natais e Réveillons, Carnavais e churrascos incríveis naquela casa, que será derrubada para dar lugar a um prédio de alto padrão. Uma hora fui na cozinha e Paulinho foi atrás. Me deu um beijo e eu retribuí. No domingo, liguei pra Paulinho e ele foi pra praia, ao meu encontro. Passamos um domingo muito legal, rindo, bebendo e até vimos o pôr-do-sol juntos, nas muretas da praia. Paulinho conheceu um ex-namorado meu e meu ex-marido. Conhece minha filha, minha mãe e meu irmão. Hoje já nos falamos três vezes. Conheço bem Paulinho. E é justamente isso o que me preocupa. Conhecer bem Paulinho.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

No sul de Minas

Fui pras montanhas no final de semana. E enxergar o horizonte sob a perspectiva que não a do mar me fez muito bem. Aquela Serra da Mantiqueira me ajudou a desfazer alguns nós e a decidir caminhos certos pra essa vida, que se tornou uma confusão das grandes. E admitir que eu não estou pronta - como achei que estivesse - pra abrir minha vida. Porque nem sempre o que a gente acha e quer compreenda à realidade do que o destino, o tempo, ou sei lá, pretendem pra nós. E foi bom viajar porque além disso, eu fui naquelas molezinhas da profissão e não gastei quase nada, a turma era divertidíssima, fiz programas radicais, ri horrores e até tive uma noite romântica no chalé charmoso com lareira com o coleguinha jornalista fofo de 28 anos depois do "desagradável" jantar regado à vinho de diversas nacionalidades e foundue de queijo, carne e frutas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Takes

- Eu não consigo, ela afirma.
- Tenta, por favor, ele pede.
- Não dá. Falta pele. É química do corpo, ela justifica
- Eu te amo, ele insiste.
- Eu não. Vá embora, por favor, ela encerra.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ao quadrado

Era como se fossem duas vidas. A do lado de cá e a do lado de lá. Cada vez que cruzava a fronteira fazia figa para não encontrar ninguém do lado de cá no lado de lá. Nem sempre era possível e quando isso acontecia mal sabia como agir.
No lado de lá, era uma. Tinha um namorado, amigos e, sentada à mesa de um boteco de quinta categoria, falava de histórias da vida do lado de cá. Histórias de sucesso, de viagens, com finais sempre felizes. No lado de cá, era outra. Profissional talentosa, brilhante e cheia de frescuras. De vez em quando, contava detalhes dos amigos do lado de lá, que viravam colegas, e omitia que passava noites insones no tal botequinho.
No lado de cá, era cortejada por homens inteligentes, que faziam questão de ressaltar suas qualidades de mulher forte e indepentende. Alguns até faziam poesias pra ela.
No lado de lá, namorava um segurança que dizia que a amava e fazia planos para se casar até o final do ano.
E, sem saber qual das duas escolher e não querendo misturar nenhuma dessas vidas, decidiu jogar tudo para o alto e viver uma terceira vida. Bem longe desses limites.